sábado, 28 de agosto de 2010

Tédio

A morfina é natural, parece gerada pelo sangue
Cansaço e sonolência não precisam de exame
Faz efeito como o ópio: O marasmo e a rotina
Não é criativo o ócio, o nadismo desanima

A torre derrubada, a rainha em desespero
O rei está em cheque, o cavalo sem arreio
O bispo manipula a fraca mente do peão
O castelo sitiado jaz entregue ao ladrão

Qual a força que me impede de dormir?
Insônia, desmaios, ressacas... sem lugares onde ir
O que fazer pra se livrar da escuridão?
Uma mente sem idéias, vida de decepção

A sua voz já me torra a paciência
O seu timbre em meu cérebro, neurônios em dormência
Gaguejas porque não tens razão
A nossa convivência me tirou a inspiração

Mas sei que um dia tudo isso vai mudar
Estarei livre, voltarei a respirar
Dia este em que brilha um novo sol
Enquanto isso me afogo com sua voz de rupinol

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Saudades...

Muitos teimam em chamar de morte
O que deveríamos chamar de despedida desta vida.
É lógico que todos vamos um dia nos despedir de tudo isso.
Todos teremos que concluir nosso caminho, nossa missão,
Nossa passagem ou como cada um quiser chamar...
Sim, isso é lógico.
Mas não pra quem ama.
Não para quem sentirá da forma mais intensa.
A saudade daqueles que de nós se despedem
E que, por mais que tenhamos certeza de que novamente encontraremos,
Queriamos que estivessem agora e pra sempre a todo momento ao nosso lado.
Sim, isto é lógico.
Mas a saudade, a dor, a tristeza...
Estes sentimentos são causados pelo amor que sentimos por quem partiu.
E para o amor não existe lógica, não existe razão.
A dor de quem perde alguém é uma dor sem cicatrização.
Podemos nos habituar. Mas esquecer, jamais!
O que podemos desejar aos nossos amigos que passam por isso é fé,
Força, coragem, disposição para continuar a sua caminhada
Sabendo que quem foi, se deixou saudades, é por que caminhou de maneira certa.

A todos meus amigos, amigos e familiares dos meus amigos, que se foram
Saudades minhas e de todos aqueles que vocês marcaram de forma tão positiva.
E a nós que ficamos, que tenhamos a mesma sabedoria ao trilhar nossa caminhada.

quinta-feira, 25 de março de 2010

A pior sentença não é a que vem da boca de um rei ou juiz,
Mas a que vem da mão do carrasco.
Para esta, ao contrário daquelas, não se tem volta nem há como recorrer.

Quando estiver em momentos difíceis,
Não se isole ao invés de aproveitar os bons momentos
Que passam diante dos seus olhos.
Pois, assim, será você quem estará interferindo negativamente no equilíbrio da sua vida.
Você estará sendo seu próprio carrasco.

Arrisque!
Não considerando que todas as possibilidades são de sucesso,
Sempre existirá o risco de falha.
Admita esse risco, considere-o real para não se pegar desprevenido caso isto aconteça.
Reconheça-o e saiba como agir.
Mas, simplesmente, não tenha este risco como verdade absoluta.
Lembre-se que é apenas uma das possibilidades.

Você é um espírito.
Não considere como se só seu corpo fosse você.
Seu corpo não passa de uma ferramenta
Utilizada por seu espírito para explorar o mundo material.

Sua matéria ("física") é burra, de nada serve sozinha.
Existe uma energia inteligente responsável por mantê-la funcionando.

Você deve cuidar de suas ferramentas!
Sim, isto é indispensável.
Mas cuidar do seu espírito deve ser sua prioridade.

Pessoas que muito alimentam seus espíritos
E pouco o fazem com seus corpos, costumam ser sábios franzinos.
Aqueles que muito alimentam o corpo
E se esquecem do espírito são, geralmente, saudáveis e/ou fartos suicidas.

sábado, 13 de março de 2010

Decassílabo 1

Pelo amor enfim ido embora
E ter acabado nossa paixão
Do velho romantismo abro mão
Liberto das grades de outrora

Já vivo somente do agora
De peito aberto enfrento a solidão
E ainda que tú me digas que não
Só me verás da porta pra fora

Te agradeço por ter me traído
Era confiança minha prisão
E não preciso ser ressarcido

Devo então encerrar esta oração
Fico sim com pena do bandido
Que ousar tentar roubar-te o coração

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Cada um nos seus "prumode"

Sou escritor
Porque gosto de escrever.
Não porque seja doutor
Ou faça isso pra viver.
Sou escritor
porque paro pra escrever.
E basta que um queira ler
pra que se torne meu leitor.

Sou brasileiro
Dando duro o ano inteiro
Pra ganhar o meu dinheiro
"Enricando seu dotô".
Sou preto e branco,
Sou mulato sertanejo,
Bronzeado bem praieiro,
Muitos tons em uma cor.

Meu carnaval
Não tem chiclete e nem Gandhi,
O meu som não tem badangue
Meu abadá é pele nua.
Na minha terra
Tem urubu e não condor.
Meu interesse é amor
E meu estádio é a rua.

E pra acabar,
Sete palmos numa cova
Serão o fim da minha trova,
Ponto final do meu viver.
Mas importante
É que apesar de toda prova
Escrevi uma folha nova
E até o final alguém quis ler.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Pra voar


Abriu sinal, mais uma corrida começando
Ronco dos motores, carros se ultrapassando
Nada mal pra quem está só se descobrindo
Fica quieta e cola em mim, finge que está dormindo
Agora diz se é legal sentir que o chão está se abrindo

Faz um som, manda um acorde que eu canto
Ainda quero aprender árabe, russo e esperanto
Tira a roupa e finge que está me amando
Só puxe a corda quando sentir que está no ponto

Pra voar (Só manda ver, que estou pronto)
Pra voar (Eu decolei, já estou voando)
Pra voar (Com prazer mergulho e vou subindo)
Pra voar (Sinto seus lábios se abrindo)

Olha o sol, já é manhã, está nascendo
Olha só, nossa criança está crescendo
Não tenho dó, morreu porque tava correndo
Pra aprender só é preciso estar atento

A vida é assim, valeu por nossa amizade
Quero tentar mesmo não tendo mais idade
Manda ver, pisa e acelera à vontade
Vai lá que é simples, basta pegar velocidade