quarta-feira, 28 de outubro de 2015

No seio do caminho ou No colo do Mundo

O colo do inimigo
Tão hostil quanto
O do falso amigo
É nele que me deito

Em nenhum deles me deleito
Apenas descanso
No primeiro peito
Que no caminho encontro

Num mundo de desencontros
Que não mais espalha os contos
Permitindo que a cada canto
Se semeiem os desencantos

Nos permitimos o desluxo
Mergulhamos em abismos
Apreciamos o lixo
Cumpliciamos abusos

Neste peito e nesse mundo
Nesse mundo e neste peito
Embora me sentindo imundo
Sigo buscando respeito

E

Quando enfim me levanto
O pó digno-me a sacudir
Já não me cabe o pranto

O que resta é partir

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Sem Tidos

Sinto na pele o amargo das tuas palavras
Vejo dor no teu canto
O gosto sem cor do teu pranto
Ouço as cicatrizes que a cegueira te infligiu

O som do teu choro não me desce na garganta
Já não sinto gosto do que levas na cabeça
Meus olhos agitados com as palavras que cantas
Sinto a derme arranhar com o teu cheiro de tristeza

Nos sentidos não vi sentido
Nossas almas não se tocaram
As idéias se perderam
E os corpos se isolaram

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Quando chora o coração

Quando o coração chora
Pode não significar que se esteja no pior
Talvez tenha passado o pior sem chorar
E agora chora por não suportar

Dores do passado, cicatrizes abertas
Batalhas intensas das quais ainda não se recuperou
Feridas mantidas de um passado banhado de dor

Quando, só, chora o coração
Maior é a dor
Quando chora o coração e os olhos não.

sábado, 3 de maio de 2014

O Bêbado Verso da Noite de Insônia

Pobre do louco que sem seus amigos
De nada seria, nada valeria
Os loucos são poucos e sem ousadia
Esquecidos ficam à propria revelia

A nada se apegam e o nado que pregam
Ao fundo os leva
Se não tem à vela
O sopro amigo que ao alto lhes guia

E só sendo louco é que se fala
Se canta, se esbalda em versos sem fim
Que de nada falam e de tudo tratam
Que abrem o mundo que há dentro de mim

E sem seguir regras ou formas poéticas
Vou cambaleando pra dentro de mim
E quando eu saio de lá eu extraio
O que incomodava e apagava o estopim

Balada do Insone

Enquanto você
No mundo dos sonhos passeia
Nos braços do sono esperneia
Pelos quatro estágios vagueia.

Eu que sozinho
A não ser o violão
Papel e lápis
O copo na mão.

Uma amigo em outro mundo
Mas na mesma sintonia
A insolente insônia
Obriga a aguardar o dia

As areias não recebo
Das mãos do João Pestana
Morfeu não me abana
Uma cantiga de ninar

A eles não vem o pesar
Não aos meus olhos
Que pela manha parecem chorosos
Pois não puderam repousar

domingo, 29 de abril de 2012

Deixa de Manha

Chega morena, vem dançar forró
Eu quero ver você forrofiar
E no embalo dessa tua saia
Quero ver balão subindo até o sol raiar

Deixa de manha e vem dançar comigo
Que eu sou tu amigo e vou te ensinar
Como se faz um forrozinho bem gostoso
Que sobe pelo pescoço e faz se embolar

Deixa de manha e vem dançar comigo
Larga esse amido que eu sou mungunzá
Não te avexo, não te rodo o tempo todo
É só colar no meu corpo, dois pra lá  e dois pra cá

Chega loirinha, vem dançar forró
Tú veio aqui, eu sei, foi pra dançar
Descruza os braços  e vem pra grande roda
Que inda tem  passei  na roça e a cobra vai passar

Vai ter quentão e amendoim cozido
Canjica de milho e bolo de fubá
E não desgruda que a fogueira inda tem fogo
Os rojão tão no pipoco, nós tem mais é que dançar

Levanta a blusa, amarra no umbigo
O xadrex é colorido e de abutuar
Agora deixa o sanfoneiro aí tocando
Que eu também tou me animando e vou cair no arraiá.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Zelara

Escuridão ao meu redor
Em um sofá, dopado e só
Ela me aparece clara
Me leva em paz, Zelara

Seu beijo aquece minha alma
E me suga o calor
E sem amor me tira a dor.

Quando em seus braços eu repouso
Tudo pode então ter fim
E ela, o que resta para mim.

Anjo que chega a mim à noite
Brinca com letras das palavras
E depois de embaralhá-las
O que fica? Zelara

Seja de trem ou avião
O meio não importa mais
Pois só um fim ela me trás.

Se por fim deixei saudades
É sinal que bem te fiz
Ainda assim tú não me quis
(Mas ela quis), Zelara